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Inflação em 3,6% tem a certeza que as suas poupanças estão mesmo a render

Inflação em 3,6%: tem a certeza que as suas poupanças estão mesmo a render?

Em agosto, a inflação em Portugal subiu para 3,6%, segundo a estimativa harmonizada divulgada pelo Eurostat, ficando acima da média da zona euro (3,3%). Isto quer dizer, que na prática, os bens e serviços que uma família compra normalmente ficaram, em média, 3,6% mais caros do que há um ano.

No mesmo mês, os Certificados de Aforro atingiram o seu valor máximo legal: 2,5% bruto. Parece uma boa notícia para quem poupa. Mas quando se faz a conta ao que esse dinheiro poderá comprar, e não apenas a quanto cresceu, a história muda.

Por exemplo, imagine que tem 10.000 euros guardados na sua conta, passa um ano, olha para o extrato e vê 10.180 euros…mais dinheiro do que tinha. Parece uma boa notícia, certo? Agora pense na seguinte questão: esses 10.180 euros compram, hoje, tanto quanto os 10.000 euros compravam há um ano?

Para a maioria das pessoas que têm poupanças em depósitos ou Certificados de Aforro, a resposta é não. O dinheiro pode estar a crescer e, ao mesmo tempo, a valer menos.

Juro nominal ou juro real: qual é o número que interessa?

Há dois números que vale a pena distinguir.

O juro nominal é o que lhe prometem: a percentagem anunciada, antes de qualquer desconto. O juro real é o que sobra depois dos impostos e depois de a inflação levar a sua fatia. É este segundo número (não o primeiro) que realmente importa.

Vejamos com números reais, atuais a setembro de 2026:

Suponha que tem 10.000 € nos Certificados de Aforro Série F — o produto de poupança mais popular do Estado, com mais de 40 mil milhões de euros aplicados por particulares. A taxa bruta para novas subscrições em setembro atingiu, pela primeira vez desde fevereiro de 2025, o teto legal deste produto: 2,5%.

Ao fim de um ano, os juros brutos rondariam os 250 €. Depois da taxa liberatória de IRS (28% sobre os juros), sobram cerca de 180 € líquidos. O saldo sobe para 10.180 € — um ganho nominal de 1,8%.

Só que a inflação, no mesmo período, foi de 3,6%. Traduzindo isso em poder de compra: os seus 10.180 € conseguem comprar hoje o equivalente a cerca de 9.826 € do ano passado. Perdeu, na prática, perto de 174 € de capacidade de compra, apesar de ter mais euros na conta do que tinha antes.

Nos depósitos a prazo, a conta seria ainda mais desfavorável: a taxa média oferecida pelos bancos portugueses aos novos depósitos até um ano ronda apenas 1,4% bruto, segundo o Banco de Portugal.

Isto significa que, neste momento em concreto, quem deixa dinheiro parado nestes produtos sem pensar no assunto está a proteger o capital — mas não necessariamente o valor desse capital.

E se não precisar deste dinheiro durante vários anos?

Quando o horizonte é longo, entram em jogo instrumentos com exposição a mercados financeiros. Não há garantias: há volatilidade, e há anos em que o valor desce antes de subir.

Mas, ao longo de horizontes de uma década ou mais, este tipo de investimento tem historicamente compensado o risco assumido, através da diversificação entre centenas ou milhares de empresas e mercados diferentes. A palavra-chave é “historicamente”, não é uma promessa, é um padrão observado ao longo de muitas décadas, com bons e maus períodos pelo meio.

Porque deveria considerar o PPR na sua estratégia?

Há PPR para diferentes perfis ou níveis de risco. Alguns priorizam a estabilidade; outros investem sobretudo em ações e ETFs, com maior exposição aos mercados e, por isso, maior oscilação de valor. A escolha depende, outra vez, do horizonte temporal e da tolerância ao risco de cada pessoa.

Para além do potencial de crescimento, um PPR tem uma vantagem que nem sempre é conhecida: parte das entregas anuais pode ser deduzida no IRS (20% do valor investido, até um limite que varia com a idade). E, ao contrário do que muita gente pensa, o dinheiro não fica “preso” até à reforma: há situações, como desemprego de longa duração, doença grave, ou mais de 60 anos com pelo menos cinco anos de contrato, que permitem o resgate sem perder os benefícios fiscais.

Na Golden SGF, por exemplo, existem PPR com perfis distintos entre si desde soluções mais conservadoras até ao PPR Golden SGF ETF, que investe exclusivamente através de ETFs, com exposição diversificada a ações e obrigações de vários mercados globais, pensado para quem procura crescimento a médio/longo prazo e está disposto a aceitar maior oscilação de valor pelo caminho.

Antes de decidir onde colocar o dinheiro, faça estas 3 perguntas

1. Quando vou precisar deste dinheiro?

2. Quanto risco estou disposto a aceitar?

3. O meu objetivo é preservar capital ou fazê-lo crescer?

Deixar o dinheiro parado também é uma decisão, embora muitos a tomem sem se aperceber disso. Quando foi a última vez que fez as contas à sua poupança?